domingo, 28 de fevereiro de 2010

Lembro da última vez que sorri.
Coincidência ou não,
Foi no mesmo dia que aprendi a chorar.
Não o choro manhoso de criança,
Mas aquele causado pelas dores da vida.

Tinha eu 5 anos de idade...
Desse dia em diante meus olhos se abriram
Percebi que nasci com a marca do fracasso no peito.
O desenrolar da existência só confirmou.

Aprendi, na porrada, calar o choro,
Travar os sentimentos,
E tentar mudar as tristezas dos outros
Com o excesso de amor que eu tinha.
Mesmo sempre me sendo negado.

Carcaça funciona...
Mas tem prazo de validade.
Um dia a roda vida voltou ao seu início.
A repetição covarde,
Abriu-se em chagas as cicatrizes maquiadas.
E o coração antes protegido baixou a guarda.

Ser vulnerável é como voltar à infância.
A inocência nos torna tolo,
E os tolos caem em armadilhas.
Imagina então uma tola carente.
Suplicando por carinho.
Tentando resgatar o amor próprio tomado a força.
Sucumbi.

De erros e cabeçadas continuei.
Até me ver transformada de vítima a algoz.
Mas sem o sadismo necessário aos maus
Vi-me novamente enredada e traída
Pelo meu coração de criança.

E me joguei na dança.
Na felicidade utópica
Em sonhos
No amor que nunca havia recebido.
Em seus braços...

Mas o destino sempre nos alcança.
Não se pode fugir da sina.
Então orei pedindo um conselho.

Deus então me disse:
“É ser amada que você quer?
Então venha para junto de mim.
Meu amor é verdadeiro.”

E para lá eu vou.
Sonhar por entre as nuvens
Dar meu amor como os anjos
E finalmente me livrar desse corpo sujo e indigno.

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